Brigette Bard, fundadora da BioSure, deseja que o teste de HIV seja tão fácil quanto um teste de gravidez.

Brigette Bard não possui experiência em tecnologia médica, mas ela diz que isso foi útil durante seu tempo como CEO da BioSure, uma empresa de testes de diagnóstico em casa, porque se ela soubesse o quão difícil seria, ela não teria feito.

"Houveram tantas barreiras para trazer isso ao mercado que, se eu tivesse pensado em todas elas antes, talvez não teria feito", ela ri enquanto falamos ao telefone.

Em vez disso, sua experiência de trabalho era em uma corretora focada no serviço de bens de consumo em rápida evolução. Significa que ela tem habilidades quando se trata de marketing e desenvolvimento de marca e isso à ajudaram na criação da empresa em 2011.

O autoteste de HIV BioSure foi lançado com o objetivo de oferecer testes de saúde sexual em casa. A visão de Bard, era oferecer testes para uma variedade de ISTs para facilitar o uso para as pessoas, assim como um teste de gravidez. "Eu fiz testes de gravidez no passado e nunca tive que tirar uma folga do trabalho ou marcar uma consulta médica ou até mesmo esperar cinco dias pelos meus resultados. Para mim, o autoteste foi a melhor opção.”

Em 2014, a BioSure tornou-se parte do grupo que pressionou o governo do Reino Unido para permitir o autoteste do HIV. A prática foi proibida desde os anos 90. No entanto, devido aos avanços mundiais realizados nos medicamentos para HIV/Aids, Bard sentiu que as pessoas deveriam poder fazer o teste em casa, em seu próprio espaço.

Um ano depois, a BioSure havia criado com sucesso seu próprio autoteste de HIV. Você pode comprar em selecionadas farmácias ou on-line no site da BioSure. É um teste à base de sangue, é realizada uma picadinha pediátrica no dedo e depois o insere na solução pronta e ele é executado como um teste de gravidez.

O teste da BioSure possui uma linha de controle de amostra incorporada e funciona apenas o sangue humano, ao contrário de outros autotestes que podem funcionar com qualquer fluído.

“Se você fizer algo errado, nenhuma linha aparecerá. Para um usuário leigo, saber se eles fizeram o teste corretamente ou não é fundamental", diz Bard.

Se você receber um diagnóstico positivo, a BioSure trabalha com a empresa social PeblFeedback, um site anônimo onde as pessoas podem conversar sobre suas experiências. Há também um número do WhatsApp na caixa do teste como outra opção para fornecer conselhos. A BioSure também sugere visitar uma clínica de saúde sexual para confirmação, e ajuda sobre os próximos passos a serem seguidos.

Porque as pessoas deveriam poder fazer um auto-teste para o HIV? Por um lado, não é fácil conseguir uma consulta em uma clínica de saúde sexual para fazer o teste. Eles geralmente são abertos durante o dia, quando as pessoas estão no trabalho ou podem haver restrições geográficas. "Mesmo que você queira testar, às vezes as pessoas não chegam lá porque a transmissão está relacionada ao sexo e as pessoas sentem vergonha. Ainda existe muita estigmatização", diz Bard.

A suspensão do estigma em torno do diagnóstico de HIV é um aspecto importante da missão da BioSure. “Existe muita preocupação nas pessoas em descobrir seu status. A diferença é que um dia antes você              estava ignorando e assustado, porque depois de descobrir você começará o tratamento, e tratamentos hoje em dia são muito efetivos.  Sua expectativa de vida é normal, você pode ter filhos sem HIV, e não pode passar o virús adiante.”

Bard dá creditos a Gareth Thomas por ajudar a diminuir o estigma em torno dos diagnósticos de HIV. Após o anúncio de seu status pelo ex-jogador de rugby há alguns meses, o Terrence Higgins Trust (Organização não governamental) recebeu um aumento nas chamadas e nos pedidos de autoteste. Thomas recentemente tornou-se chefe da primeira Comissão de HIV de todos os tempos, que visa erradicar novas transmissões em 10 anos.

"Eu me sinto tão mal pelas razões que ele teve que divulgar", diz Bard (um repórter de tablóide o ameaçava em contar aos seus pais). "Mas ele fez um trabalho incrível ao normalizar a conversa. E o fato de ele ter feito o Homem de Ferro (Competição) muito rapidamente depois, mostra que as pessoas vivem vidas normais.”

Embora as reduções nos diagnósticos tenham desacelerado, um declínio de 6% em 2018 em comparação com um declínio de 17% no ano anterior, graças ao aumento da disponibilidade da pílula de prevenção PrEP, há preocupações sobre os diferentes grupos da sociedade com falta de educação ao seu redor e portanto, correndo o risco de contrair o HIV. As mulheres na pós-menopausa são um dos grupos de diagnóstico que mais crescem no mundo. No Reino Unido, em 2015, 26% dos novos diagnósticos eram mulheres acima dos 50 anos de idade, enquanto em 2017, para cada 303 mulheres heterossexuais com idades entre 45 e 64 anos testadas para o HIV, uma teria o vírus, em comparação com 4.136 testes em mulheres heterossexuais entre 15 e 24 anos.

"Elas estão saindo de relacionamentos de longo prazo e não podem engravidar, portanto não precisam de métodos contraceptivos de barreira e podem pensar que o HIV é transmitido somente no homossexualismo como nos anos 80. É incrível como o lado educacional das coisas tem sido uma grande parte do que estamos fazendo ".

O teste da BioSure já está disponível em quatro continentes, foi lançado recentemente em Hong Kong em uma ONG chamada Aids Concern. A empresa venceu a competição Pitch@Palace, criada pelo Duke de York, em 2018. Bard diz que isso ajudou a BioSure a crescer na Commonwealth graças aos investidores e principais apoiadores do ecossistema que participaram, no entanto, após a queda do Duke, há preocupações sobre o que acontecerá com a competição.

"Eles foram fantásticos para nós", explica ela. “O que eles fazem é tão importante na construção dessa rede de empreendedores e apoiadores. Seria uma pena se não avançar, porque é realmente positivo e do ponto de vista comercial do Reino Unido, leva você a uma plataforma global. ”O Duke deixou de liderar a competição, no entanto, por enquanto continuará como "pitch", sem envolvimento real no futuro.

O próximo objetivo de Bard é garantir que os novos testes de saúde sexual da BioSure passem pela aprovação regulatória correta, além de mudar a narrativa para que as pessoas vejam o autoteste como uma ferramenta de prevenção do HIV.

"O autoteste está se tornando parte do bem-estar de muitas pessoas, como você iria ao dentista ou para um exame de saúde. As pessoas podem fazer isso a cada três meses, para que saibam qual é o status delas”, diz ela.

Então este é o futuro dos testes de diagnóstico? "Acho que sim. Quando você oferece responsabilidade às pessoas, elas realmente aceitam. É sempre uma escolha, porque sempre haverá alternativas. Mas ser capaz de testar em seus próprios termos é uma existência enorme.”

 

Por AMELIA HEATHMAN

The Evening Standard

Reino Unido

Traduzido do Inglês para Português